Endereço: Rua Pamplona, n°145, cj.704 , Jardim Paulista,

Fale Conosco: (11) 3214-2953

(11) 94941-8374

O que precisamos saber sobre alimentação em pacientes com demência avançada?

O que é Demência?

A Demência refere-se a uma síndrome de declínios cognitivos e comportamentais que são graves o suficiente para interferir no funcionamento da vida diária. Ela, corresponde a uma categoria ampla de alterações cognitivas com uma variedade de causas (ou tipos), incluindo doença de Alzheimer (a mais prevalente na população), doença cerebrovascular (demência vascular),  corpos de Lewy (demência de corpos de Lewy), entre outras. A Demência é distinta dos declínios normais relacionados à idade no funcionamento cognitivo.


Qual é o maior fator de risco para a Demência?

A idade é o fator de risco mais consistente para a demência. Quase 14% dos adultos com mais de 70 anos têm alguma forma de demência, segundo Plassman e colaboradores (2008).


Quais são as fases da Demência?

Tanto as ferramentas FAST quanto a GDS propõem sete estágios que vão da demência normal à grave. A descrição abaixo a seguir reflete uma combinação desses dois sistemas de estadiamento, com base no trabalho de Reisberg e colegas (2011).

*Estágio 1 – normal

No estágio 1, considera-se a pessoa normal, pois demonstra funcionamento cognitivo normal e não apresenta problemas nas atividades da vida diária.

*Estágio 2 – queixas subjetivas em relação à memória

A pessoa percebe alterações sutis quanto à memória ou a cognição, mas não tem nenhum declínio na sua capacidade de completar atividades da vida diária e não demonstra nenhum déficit nos testes cognitivos (esse estágio precede o estágio 3, quando a atenção clínica geralmente é tipicamente justificada). Essas alterações sutis e subjetivas provavelmente não serão percebidas pelos familiares ou profissionais de saúde.

*Estágio 3 – comprometimento cognitivo leve

Nesse estágio, as alterações cognitivas tornam-se evidentes, seja na Avaliação Neuropsicológica ou no ambiente cotidiano (por exemplo, começando a afetar tarefas de trabalho desafiadoras ou outros problemas complexos). A família e os amigo começam a perceber alterações na capacidade cognitiva, mas a pessoa permanece independente na vida diária, embora percebam que as tarefas cotidianas se tornaram mais difíceis. Estratégias compensatórias aprendidas com Intervenções Cognitivas podem ser úteis para se adaptar a esse nível leve da alteração.

*Estágio 4 – demência leve

A pessoa demonstra comprometimento moderado na Avaliação Neuropsicológica, e tem dificuldades nas atividades instrumentais da vida diária, particularmente em termos de gerenciamento financeiro, viagens, administração de medicamentos e culinária. No Estágio 4, a pessoa precisa de assistência para essas tarefas, enquanto no Estágio 3 elas podem ter sido capazes de compensar ou, com o tempo, completar as tarefas, embora com alguns erros. O conhecimento dos eventos recentes é frequentemente prejudicado, e a pessoa pode parecer retraída em situações sociais exigentes ou altamente estimulantes.

*Estágio 5 – demência moderada

A pessoa apresenta comprometimento moderado a grave na Avaliação Neuropsicológica e pode demonstrar dificuldade em lembrar detalhes pessoais de sua vida. A vida independente muitas vezes não é possível sem assistência significativa. A pessoa pode ser independente nas atividades básicas da vida diária (comer, tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro), mas pode precisar de indicação e orientação. Confusão sobre o tempo pode ser evidente no Estágio 5 e após.

*Estágio 6 – demência moderadamente grave

A pessoa tem comprometimento cognitivo grave e pode apresentar alterações de personalidade. As pessoas no estágio 6 às vezes esquecem os nomes dos membros próximos da família, incluindo o cônjuge. Os sintomas comportamentais e psicológicos tornam-se mais comuns (por exemplo, agitação, perambulação). O sistema de estadiamento FAST inclui cinco subestágios baseados na necessidade de ajuda em atividades específicas da vida diária, incluindo (6a) vestir-se, (6b) tomar banho, (6c) usar o banheiro, (6d) incontinência urinária e (6e) incontinência fecal.

*Estágio 7 – demência grave

A pessoa tem comprometimento cognitivo muito grave, muitas vezes perdendo a capacidade de falar mais do que algumas palavras. A pessoa pode se tornar indiferente a outras pessoas e estímulos do ambiente. O sistema de estadiamento FAST inclui seis subestágios no estágio 7, baseados em perdas funcionais específicas, incluindo (7a) capacidade de falar mais que poucas palavras, (7b) capacidade de falar ou articular apenas uma palavra, (7c) incapacidade de andar, (7d) incapacidade de sentar-se, (7e) incapacidade de sorrir e (7f) incapacidade de mover ou manter a cabeça ereta.

Embora as famílias muitas vezes queiram saber em que estágio da demência está seu ente querido, esses estágios não costumam ser usados no processo de diagnóstico, e fornecer o estadiamento FAST para as famílias geralmente não é útil. Os médicos que trabalham no lado diagnóstico do tratamento da demência têm muito mais probabilidade de usar a demência precoce e leve, demência moderada ou demência grave e tardia para descrever uma pessoa que avaliaram. 


Quais as opções de alimentação existente?

Os especialistas em Gerontologia e Geriatria, Letícia G.V. Coelho e Edson I.O Vidal, em 2015, escreveram o "Guia de Alimentação em pacientes com Demência Avançada que propõe às opções de alimentação existentes para esse perfil de paciente, de forma a contribuir para o conforto e qualidade de vida. O guia de orientações está disponível no link: https://www.sbgg-sp.com.br/ebook/Alimentacao_na%20Demencia_Avancada%202021_5.pdf


Referências Bibliográficas:

-Gil, G & Busse, A.L. (2019). Como lidar com problemas de memória e doenças neurodegenerativas. São Paulo, editora  Hogrefe.

-Mast, B.T. & Yochim, B.P. (2018). Doenca de Alzheimer e Demência: avanços na psicoterapia- prática baseada em evidência. São Paulo: editora Hogrefe.

-Plassman, B. L., Langa, K. M., Fisher, G. G., Heeringa, S. G., Weir, D. R., Ofstedal, M. B., Wallace, R. B. (2008). Prevalence of cognitive impairment without dementia in the United States. Annals of Internal Medicine, 148, 427–434.

-Reisberg, B., Jamil, I. A., Khan, S., Monteiro, I., Torossian, C., Ferris, S. (2011). Staging dementia. In M. T. Abou-Saleh, C. Katona, & A. Kumar (Eds.), Principles and practice of geriatric psychiatry (3rd ed., pp. 162–169). New York, NY: Wiley.