Endereço: Rua Pamplona, n°145, cj.704 , Jardim Paulista,

Fale Conosco: (11) 3214-2953

(11) 94941-8374

BLOG LEMBRE E RELEMBRE

Você sabe o que é Desospitalização?

O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios para a saúde pública contemporânea. Esse processo decorre de uma mudança na estrutura etária da população, que resulta em uma maior proporção de idosos em relação às demais faixas etárias, tendo como fator principal a redução da fecundidade.

O aumento na expectativa de vida provoca também uma mudança no perfil de doenças que acometem a população idosa, evidenciando a substituição de doenças infecciosas agudas pelas doenças crônico degenerativas não transmissíveis. A prevalência dessas doenças é bastante expressiva no idoso, destacando- se como consequências um maior tempo de hospitalização, uma recuperação mais lenta e uma maior frequência de reinternação e invalidez. Todos esses fatores determinam custos mais elevados no tratamento.

Com a senilidade o organismo sofre várias alterações fisiopatológicas, deixando o indivíduo mais frágil e vulnerável. Assim, pessoas idosas são acometidas com mais frequência às internações hospitalares. Pesquisas mostram que pessoas acima de 60 anos, pertencem a faixa etária que mais permanecem hospitalizadas, impactando negativamente na qualidade de vida destes indivíduos.

A desospitalização surgiu no final do século XX, como resgate de uma necessidade cultural, de humanização, de biossegurança e econômica. No entanto, o hospital tem sua inquestionável importância no momento da fase aguda da doença, em razão do seu aparato tecnológico e estrutural, funcionando com parte integrante de um sistema nacional de saúde, que compreende a atenção básica e a assistência domiciliar. A desospitalização é definida como um processo que busca a humanização de pacientes que se encontram hospitalizados. Tem como principal objetivo oferecer a estes indivíduos uma recuperação mais rápida e bem sucedida em seu domicílio, buscando racionalizar a utilização dos leitos hospitalares.

Nota-se uma tendência mundial para assistência domiciliar sendo uma estratégia que vem sendo implementada nos hospitais por meio do processo de desospitalização. Os custos com assistência em saúde são muito altos, o que torna uma realidade entre os países a dar prioridade aos leitos hospitalares para patologias agudas ou descompensadas.

A fisioterapeuta especialista em Gerontologia Jéssica Maria Ribeiro Bacha, afirma que grande parte das pesquisas na área hospitalar afirma: “Desospitalização não significa dar alta precocemente para o paciente, e sim humanizar seu processo de recuperação em seu domicílio”.

Os principais benefícios da desospitalização são:

-A desospitalização que ocorre no tempo correto, traz grandes benefícios para o paciente;

-Proporciona maior chance de esclarecimento e envolvimento familiar;

-Diminuição de riscos e maior estímulo Continuidade para o tratamento.

Por exemplo, a maioria dos idosos internados não adere ao tratamento por estar em um hospital, preferindo ter acompanhamento em casa perto dos seus familiares.

Em casa, ele pode receber todo cuidado que necessita de profissionais especializados e com atenção e apoio da família. Além de gerar melhores resultados para o paciente e seus familiares, a desospitalização também é vantajosa para o hospital e para a comunidade como um todo. Caso você tenha algum parente e/ou amigo idoso internado aborde este assunto com a equipe hospitalar. Se precisar de uma equipe multidisciplinar em seu domicílio, conte com os serviços do Vigilantes da Memória (medicina, psicologia, fonoaudiologia e fisioterapia todos com especialização em saúde do idoso pela USP).


Leia também: Você tem os chamados “brancos” de memória? Dicas para enfrentá-los.


Autora: Jéssica Maria Ribeiro Bacha

- Mestre e Doutoranda em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP;

- Especialista em Gerontologia pelo Instituto Israelita Albert Einstein;

- Membro da Sociedade Brasileira de Gerontotecnologia;

- Membro da Associação Brasileira Fisioterapia Gerontológica;

- Membro do Laboratório de estudo em tecnologia, funcionalidade e envelhecimento da Universidade de São Paulo (LETEFE);

- Docente da pós graduação em Gerontologia e Empreendedorismo do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês.


Referências bibliográficas:

- http://www.who.int/ageing/about/facts/en/index.html. Ageing and Life Course - Interesting facts about ageing. World Health Organization, 2012.

- Ribeiro, LCC, Alves, PB, Meira, EP. Percepção dos idosos sobre as alterações fisiológicas do envelhecimento. Ciência, Cuidado e Saúde. 2009;8(2):220-227.

-Fechine, BRA, Trompieri, N. O processo de envelhecimento: as principais alterações que acontecem com o idoso com o passar dos anos. Revista Científica Internacional. 2012; 1(20): 106-194.

-ALCÂNTARA, Ana Maria Santana de. Desospitalização de pacientes idosos- dependentes em serviço de emergência: subsídios para orientação multiprofissional de alta. Tese (mestrado em ensino ciências da saúde). Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina. São Paulo, 2006.

-ALENCAR, Valdenizia Apolinário. Contribuição da internação domiciliar em promover a desospitalização e prevenir a reospitalização no âmbito do SUS. Dissertação (mestrado em enfermagem) – Universidade de Brasília, Brasília-DF, 2013.

-EBSERH. Nossa História. Rio Grande do Norte. Disponível em: <http://www.EBSERH.gov.br/web/huol-ufrn/nossa-história> Acesso em: 17 Set. 2016.

-IAMAMOTO, Marilda Vilela; CARVALHO, Raul. Relações sociais e serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico- metodológica. – 40. ed. – São Paulo: Cortez, 2014.

-INTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil em Números. Rio de Janeiro, v. 24, p. 76 -102, 2016. -HUOL, Hospital Universitário Onofre Lopes. Carta de Serviços ao Cidadão. Rio Grande do Norte, 2015. Disponível em: <http://www.EBSERH.gov.br/web/huol-ufrn/carta>. Acesso em: 24 nov. 2015. 54

- Ministério da Saúde. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DOS HOSPITAIS. Rio de Janeiro, 1944. Reedição de 1965. p.47. - Ministério da Saúde. Carta dos direitos dos usuários da saúde. 3. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011.

- Ministério da Saúde. Portaria MS/GM nº 276, de 30 de março de 2012. Institui o sistema de Registro das Ações Ambulatoriais de Saúde (RAAS). Diário Oficial [da] União, Brasília, DF, 30 março 2012b.

-Ministério da Saúde. Portaria MS/GM nº 963, de 27 de maio de 2013. - Savassi LCM. Os atuais desafios da Atenção Domiciliar na Atenção Primária à Saúde: uma análise na perspectiva do Sistema Único de Saúde. Rev Bras Med.